Não se controle no trabalho

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Não se controle no trabalho. Quem nunca disse: Eu me controlo no meu ambiente de trabalho! Ou Eu controlo o pessoal direitinho! Que atire a primeira pedra!

Cada vez mais as empresas estão usando avaliações com base na inteligência emocional para contratar e para promover melhor resultados, porque? Eu explico. A pessoa que é capaz de ponderar decisões e aumentar sua percepção em relação ao outro, a torna mais inteligente e com capacidade de atingir a alta performance e claro é  bem vinda no mundo organizacional.

Ai você pode estar pensando agora, mas eu me controlo, eu lido com minha emoções, confio no meu autocontrole. Sinto muito, tenho uma má notícia para você, o autocontrole é péssimo para você e para suas relações, principalmente no trabalho e ainda mais se você se basear apenas no controle das atitudes emocionais.

Autocontrole

Hoje já sabemos que o autocontrole não é algo que você consegue manter da mesma maneira o dia todo, por exemplo, quanto mais você exerce seu autocontrole, menos você consegue exercer, é como se ele fosse escasseando ao longo do dia. Imagine que você no início do dia tem um grande autocontrole e com as decisões que toma o tempo todo, no final do dia praticamente esgotou está bem pequeninho

Vamos lá, imagine você como gestor e que resolve criar uma reunião no final de um dia sobre um tema que é altamente estressante para aquela equipe e você sabe que nessa equipe você tem duas pessoas que são altamente explosivas e outras duas que são altamente sensíveis, e imagine que essas pessoas já estarão com autocontrole bem pequeno e provavelmente as emoções aflorarão, os explosivos vão explodir e os sensíveis irão se sentir prejudicados, angustiados e enfim, o resultado esperado não ocorrerá, aliás ocorrerá uma completa insatisfação e você ainda poderá tirar conclusões precipitadas sobre as situações e punir as pessoas de forma inadequada e inconsequente.  Tudo isso poderia ser evitado, com apenas uma pequena mudança de horário da reunião e claro com você usando sua inteligência emocional para extrair o melhor das pessoas que você lidera e de forma extratégica.

Perceber o nível de assertividade de nossas ações nos torna mais inteligentes emocionalmente, controlar-se não é o caminho, porém, perceber a capacidade do ser humano de lidar com as decisões ao longo do dia é fundamental para fazer uma boa gestão por exemplo.

Identificando as diferenças

Quando desconsideramos esses comportamentos, deixamos passar uma oportunidade incrível de tornarmos os ambientes mais saudáveis e de promover resultados extraordinários.

Importante lembrar que, a inteligência emocional tem tudo a ver com o perfil de cada pessoa, muitas vezes você vai ter pessoas com níveis altíssimos de racionalidade, inteligência numérica e estratégica, porém nenhuma capacidade de usar sua inteligência emocional e tomar decisões e identificar suas próprias emoções e as emoções dos outros, com toda certeza irá tomar decisões desastrosas para o setor e gerar conflitos desnecessários.

Sendo assim, precisamos compreender que existem demandas diferentes de níveis de inteligência emocional dentro da empresa, por exemplo, no setor de RH(recursos humanos), você precisa de níveis altíssimos de inteligência emocional, pois lida diretamente com as pessoas e decisões que afetam seu engajamento e seu desempenho.

Vale lembrar que apesar de a inteligência emocional ter níveis diferentes, todos podem desenvolver, melhorar, evidentemente precisa levar em consideração o tempo e a necessidade de cada perfil para cada cargo.

Entendendo os perfis

É fundamental que entendamos a variação de perfil, porém a capacidade de desenvolver é para todos, a melhor forma é utilizar os erros e acertos na prática.

Os perfis são complementares, ou seja, perfis agressivos podem agir melhor em um departamento de vendas. Já outros perfis mais sensíveis e menos competitivos, são efetivos para gerar engajamento. E aí, entra em cena a capacidade de alocar as pessoas de acordo com cada perfil, para que gere o melhor resultado possível. E essa expertise será cada dia mais utilizada dentro das empresas, portanto, mexa-se, busque o autoconhecimento e compreenda onde você se encaixa, caso não saiba, permita-se buscar ajuda.

Quem é a pessoa mais inteligente emocionalmente?

Aquele que aprende a dosar suas características, ou seja, aquele que adequa-se as diversas situações onde as demandas de perfil afetivo são diferentes. Por exemplo: num projeto onde a integração humana é necessária, ele consegue ser mais colaborativo; num ambiente onde a agressividade é mais necessária, ele consegue desenvolver uma postura mais dura, mais firme.

É raro encontrar pessoas com esse perfil, porém se você encontra um perfil assim, é fato que irá obter resultados excelentes com equipe e números e uma performance muito melhor que um perfil que tem crenças limitadoras e não consegue flexibilizar, ou seja, irá dar mais trabalho e não obterá eficácia em suas intervenções e ainda poderá adoecer no trabalho.

Se eu pudesse sugerir qualquer coisa à você que está na posição de gestor, ou deseja ascender é: Não busque o autocontrole, não controle-se, Aprenda a identificar os níveis de inteligência emocional o seu primeiramente e depois os das pessoas ao seu redor.

Para a empresa a sugestão é: Faça um mapeamento de perfil e identifique as potencialidades que detém em seu time e aí sim tome as melhores decisões e alcance resultados extraordinários através das pessoas!

Kelly de Moraes

Psicóloga, Pedagoga, Gestora de Pessoas, Master e Business Coach        CEO Skale Desenvolvimento Humano

 

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